Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Provérbios 26: 3.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“O açoite é para o cavalo, o freio para o jumento, e a vara para as costas dos tolos” – Pv. 26: 3.

Estímulo! Esta é a primeira palavra que me vem à mente quando leio o verso. E desde já aponto uma diferença primordial: o cavalo e o jumento são seres irracionais, enquanto o “tolo” mencionado (de maneira geral), ser humano que é, é, portanto, um ser racional. Açoita-se o cavalo, para que ele ande; freia-se o jumento, para que ele pare. Não é, por essência, um castigo ou um ato de crueldade. Demais disso, açoite e freio, a rigor, servem para ambos os animais, tanto o cavalo como o jumento, e outros, como o boi, por exemplo. Esses tipos de “comandos” são, no entanto, impertinentes para se comparar “se aplicados” a pessoas, mesmo em termos de figuras de linguagem, porque nos remetem ao tempo da escravatura, ou a escravos, a castigo e tortura, a submissão, e, por lógica, à posse/propriedade de um ser humano de outro, como bem material (suscetível à venda e compra, inclusive). Um homem açoitado, seja para andar ou parar, ou fazer qualquer outra coisa, é um homem que está sujeito a outro homem, submisso, “inferior”, por obediência e temor, em tratamento desumano entre semelhantes. Já o açoite e o freio nos cavalos e jumentos (e em outros animais domesticados) são lícitos, desde que sem crueldade. Biblicamente lícitos, aliás: O justo olha pela vida de seus animais, mas as misericórdias dos ímpios são cruéisProvérbios 12: 10.

De todo modo, metaforicamente falando, todos nós precisamos, vez por outra, de “açoites” e de “freios”, impostos por Deus, por meio de outras pessoas ou circunstâncias. Isso para que nós tomemos rumo na vida e acertemos veredas e costumes ruins nossos. Para fazer cessar os exageros, a displicência, os desmandos, as compulsões, as injustiças Etc.; e para nos colocar de volta aos trilhos da boa e justa vida, sadia e útil, eliminando de nós a ociosidade, a licenciosidade e a omissão, afinal, o campo e a vinha do preguiçoso são verdadeiros desastres e pura confusão (Provérbios 24: 30 a 34). Se fizermos a comparação desse modo, afastamos a excrescência da escravidão, e nos colocamos no ponto mais humilde diante de Deus. Ora, quem não quer ser servo de Deus, não é mesmo? E a resposta é (infelizmente): muita gente. Porém, creio que muitos cristãos de coração, muitos de nós, sintam-se honrados de se colocarem voluntariamente na condição de escravos de Cristo, não? Como disse Paulo, Apóstolo: Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião. Pois o que é chamado pelo Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; da mesma maneira, também o que é chamado, sendo livre, escravo é de Cristo1 Coríntios 7: 21 e 22.

Antes nós nos considerávamos “livres”, mas a verdade é que éramos escravos do pecado. Hoje (nós, os cristãos) somos libertos e salvos, estamos seguros, porém, com muita honra e júbilo, nós nos consideramos e de fato somos escravos de Jesus Cristo. Isso é um paradoxo para muita gente, que pensa que o serviço e a entrega de si mesmo a Deus é uma espécie de prisão, quando, na verdade, livres mesmo são os servos de Deus; de outra banda, os demais (e mesmo nós, em certa medida) são prisioneiros do sistema mundano e de si mesmos, e são aqueles que de uma forma ou de outra não se entregaram a Cristo Jesus. Estes últimos estão sozinhos na vida, por conta própria. Engana-se, pois, quem pensa que a escravidão é coisa do passado, não, não é; não só porque é praticada livremente em muitos países por aí, como também há muita coisa que “nos escraviza” na vida, tal como drogas, sexo, jogos de azar, enfermidades e muito, muito mais: a lista é “quase infinita”. Nossa “Carta de Alforria” para todas essas coisas chama-se Jesus Cristo de Nazaré. E mesmo assim, veja-se também que, de forma geral, nós não podemos fazer o que quisermos, quando quisermos, se quisermos, como quisermos, porque a vida em sociedade nos impõe “açoites” e nos põe “freios” que, se não os respeitarmos, facearemos consequências variadas, algumas muito, mas muito duras mesmo. Viver é “sinônimo” de direitos e de obrigações, de ética e de moralidade, de respeito por si próprio e pelos outros, até pelo meio ambiente. E isso tudo é um “rol limitador” que “nos escraviza”, de certo modo, não? Em minha modesta opinião, sim, é, e como é!

O ser humano é e sempre será “escravo” das circunstâncias e das pessoas que o rodeiam, e do próprio corpo mortal que o abriga. E sempre haverá certa “escravidão” na vida. Na bela e profunda poesia de Cazuza, ainda existem várias espécies de “Navios Negreiros” (navegando), só que “em outras correntezas”… Para quem se considere “bom entendedor”, aqui há mais até que “meias palavras”. Isso basta! E não nos esqueçamos de que ainda temos de “espancar” os tolos! Pela sua condição natural de “ser racional” (em tese…), o tolo, por sua tolice, teimosia e estultícia, deve ter as suas costas “golpeadas com vara”, castigado “até sangrar”. Regra da vida! E de Deus! O tolo, soberbo, não dá ouvidos a nada nem a ninguém, na sua desenfreada “loucura”, que se dirá da sabedoria de Deus. E, por conta disso, sofre as consequências de seus atos/condutas. A “vara” é, pois, diferente do “açoite” e do “freio”, bem diferente. A “vara” é punição; o “açoite” e o “freio” são apenas estímulos. O tolo é “pior” que o cavalo e o jumento juntos; na verdade, sequer é justo compará-los com ele. Porque o tolo não merece a “racionalidade” que tem, vez que recebeu de Deus o “domínio” da Criação, e a isso não dá valor algum. Ora, seja o tolo, estúpido: tolo! E “vara” nele, incessantemente! Bem, enquanto houver vida, há esperança…

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