Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Salmo 119: 37.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade; preserva a minha vida segundo a tua palavra” – Sl. 119: 37.

A vida tem muitos atrativos vãos, e não são poucos os que se perdem por conta disso. Ou que perdem tempo. Há pessoas que têm tendência à compulsão e, para estas, determinadas coisas são muito perigosas. O que faz mal a mim bem pode não fazer mal a você, e vice-versa. E é bem verdade que existem coisas e situações que fazem mal a todos, sem exceções. Porém, a oração do verso é boa e pertinente, e cabe para todos os corações. Sempre haverá alguma coisa na vida que pode nos atrapalhar ou embaraçar nossos caminhos em direção ao Reino de Deus. O ser humano é suscetível a se deixar levar pelos méritos mundanos e por sensações de todo tipo. Não há limites para o querer ter, o querer fazer e o querer ser. Por mais focados que estejamos em Cristo, comumente aparecerão distrações e tentações variadas, que hão de nos perturbar, no mínimo.

Mas é certo que nem tudo é vaidade. Talvez muitas coisas percam seu valor durante a vida, e quase todas perderão seu valor com a morte. Um brinquedo qualquer que tive na infância era um objeto de desejo, e formou minha realidade durante certo tempo. Hoje, nada vale. Posso comprar um carro novo, e ele terá valor por poucos anos. Depois, será um carro velho, com outros melhores tomando o seu lugar. Em matéria de bens materiais, tudo perece, mas fazem parte da vida. Há uma cadeia produtiva e econômica por detrás do carro e do brinquedo, de tudo, que sustenta muitas pessoas. Que utilidade há em um carro novo ou em um brinquedo? Ora, famílias se sustentam porque alguém compra um e outro. Assim, durante a vida, o quê poderia ser considerado vaidade, acaba fazendo parte da subsistência de todos. Trata-se de um ciclo vital para a manutenção das coisas no estado em que as conhecemos e estão estabelecidas (existe um “sistema”, pois).

Se acaso seu ganha-pão for um trabalho numa loja de brinquedos, ou na indústria, é certo que no fim do mês seu salário será pago, e pagará suas contas. O mesmo em relação a um carro, desde a produção de seu mais reles parafuso até o carro montado exposto numa concessionária, e, depois, o mercado de usados e até o desmanche. Portanto, durante a vida, o conceito de vaidade fica relativizado com relação aos bens materiais. Assim, qualquer coisa material, tem seu valor intrínseco e sua utilidade inerente. A vaidade, nesse passo, talvez esteja presente nas vontades pessoais acima das posses, nas comparações e invejas, e no estado de espírito das pessoas. Na insatisfação crônica, no egoísmo e nas pelejas sem sentido. O consumismo exacerbado e as acumulações compulsivas são mais doenças do que vaidade (acho eu). Em suma, creio que não seja vaidade o fato de o dinheiro ter de “girar”, trocar de mãos, gerar renda, prover a vida, e isso só acontece com produção, comércio e trabalho. Bens e serviços.

Como posso dizer que meu almoço de ontem foi vaidade? Ora, além do meu sustento, com o dinheiro do meu trabalho o dono do restaurante lucra, e paga o cozinheiro, o garçom, o pessoal da limpeza, os fornecedores Etc. Todas as coisas, portanto, se prestam a algum fim útil, ainda que sejam transitórias. Qualquer cadeia de produção apresenta essa peculiaridade, até mesmo as coisas ditas supérfluas ou de luxo. Em tudo acharemos pessoas se sustentando a partir do que, porventura, puder ser posto em análise sob esse ângulo. Outras vaidades poderiam ser elencadas, como estudar demais, a busca frenética pelo enriquecimento, fama e títulos, dentre outras coisas. Todos os excessos são condenáveis. Tudo tem limite, cada um tem os seus. E tudo acaba. Será vaidade tudo aquilo que for utilizado ou vivido com e por vaidade, sem o “espírito” certo. De tudo o que eu tenho, a verdade é que nada é meu: a vida me emprestou. Para alguns, mordomo de Deus. Mas há tesouros que se guardam no coração. Esses não são vaidades, jamais. Logo, a vida deve ser bem vivida, sim, mas com as reservas do Reino de Deus, além de ética e integridade. Por isso, talvez, o Salmista intentasse que fosse nossa a sua oração: “Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade; preserva a minha vida segundo a tua palavra”Salmo 119: 37.

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