Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Salmo 107: 4.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Alguns andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitários, não acharam cidade em que habitassem” – Sl. 107: 4.

A frase do verso remete o leitor a uma vida sem Deus. São muitas as metáforas e figuras de linguagem nele contidas. O verbo “andar”, por exemplo, significa a passagem do tempo, inevitável, nas nossas vidas. Como se a vida fosse um “caminho” e as nossas vidas um “caminhar” incessante. Somos impelidos à “caminhada”, pois, compulsoriamente, sem possibilidade de ser diferente, e sem volta. Só dá para “andar para frente”, nesse caso, e retroceder não é uma opção. O deserto, por natureza, é um lugar ermo e árido, com parcas condições de vida. E há quem faça comparações da vida com o deserto, devido às suas agruras e mazelas. Especialmente por conta do Êxodo, cuja “caminhada” levava à “Terra Prometida”. Nesse último evento, Deus Pai esteve com os Hebreus o tempo todo, de dia e de noite, como um Bom Pastor. Daí a palavra “desgarrados”, que nos dá ideia de solidão e da condição de “perdidos”, “apartados do rebanho”, por conta própria, sozinhos, ou seja, sem Deus, desamparados.

Sabemos que os “caminhos solitários” nem sempre implicam ausência total de pessoas à nossa volta. Por vezes a pessoa está “sozinha na multidão”, isto é, “não se encontra” em lugar algum nem com ninguém, sente-se só, a dor da solidão. Muita gente há que, cercada por pessoas, ainda assim sofre de uma “inadequação crônica”, um sentimento de vazio extremo, por conta do qual não vê sentido e razão em nada. Hoje em dia, mais do que nunca, aliás, por conta dos efeitos da modernidade e das redes sociais. O mundo em que vivemos é veloz e “impiedoso”. Muita informação, pouco conteúdo. Muito materialismo, pouca “interiorização”. Muito mais “eu” do que “nós”. Vale a satisfação própria e dane-se o alheio, os terceiros, os outros. O “universo do eu” gira em torno de mim e dos meus interesses, os demais que fiquem com o que restar disso. Minha benevolência é seletiva, interajo sempre com algo subjacente em vista, “ando” pela vida sem rumo, vou indo. E “caminho” sem achar “cidade para habitar”, não tenho onde me recostar.

Esse é o resumo da vida de uma pessoa que “passa” pela existência sem ter tido a oportunidade de conviver com o Senhor, em Jesus. Tenho verdadeiro horror dessa situação, e me dá “calafrios” só de pensar que eu poderia ter sido uma dessas pessoas. Eu “andei desgarrado pelo deserto” por um bom tempo. Eu percorri “caminhos solitários”, cujas “dores” me eram “palpáveis”. Eu era um daqueles que “não achava lugar” para “habitar” em “nenhuma cidade”. Eu me sentia “inadequado” em quase todos os lugares e situações, e tinha problemas de “pertencimento”, nas interações normais da vida. Via-me como “um peixe fora d’água”, alguém “deslocado”, inseguro e preterido, só. Bem, só eu estava mesmo, porque “caminhava” sozinho, sem Deus. Talvez Deus até estivesse “caminhando” comigo, mas eu não tinha “elementos” em mim para identificá-Lo ou reconhecê-Lo. Um belo dia, Jesus “bate à minha porta”. “Olhei” pelo “olho mágico”, e vi o Mestre. Desconfiado, mas feliz, deixei-O entrar. Partilhamos a ceia, o pão e o vinho. Conversamos. Selamos nossa amizade e irmandade. E tudo mudou, passou o que era velho, e tudo se fez novo.   

Já não era mais uma “ovelha desgarrada”. Ainda que “caminhando pelo deserto” (no qual continuo, aliás), passei a ter a companhia do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Foi-se o tempo dos “caminhos solitários”. Achei meu lugar, ou “uma cidade para habitar”. Engrossei as fileiras do Povo de Deus, passei a ter fé, esperança e amor, em Jesus. A vida vã ficou para trás, cingi-me da responsabilidade e da “roupagem” do Reino de Deus. De “órfão é viúva” passei a filho de Deus, cujo primogênito é ninguém mais do que Jesus Cristo de Nazaré. Fui adotado pelo Céu. Enxertado na videira. Amado pelo Senhor. Aceito. Recebi um “coração de carne”, em substituição ao anterior, “de pedra”. E no meu “coração de carne” estão “inscritas” as benditas Leis de meu Senhor, a Palavra de Deus, que “me lava” e “me purifica”. Quem consuma minha fé? Jesus. Quem me mantém de pé? Jesus. Quem me sustenta? Jesus. Quem me salva? Jesus. O Bom Pastor me leva a pastos verdejantes e a fontes de água doce e pura, límpidas, em pleno deserto. O Bom Pastor prepara uma mesa diante de meus inimigos. O Bom Pastor refrigera a minha alma e com Seu cajado me guarda e protege. Unge-me com óleo, meu cálice transborda. Não ando desgarrado nem tampouco solitário, achei lugar, espaçoso, e agora sigo o Amor (ao Qual pertenço), por todos os dias da vida que me resta (até o novo começo, Nele e com Ele…).

© Amor-Perfeito

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