Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Provérbios 16: 9.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” – Pv. 16: 9.

Nessa altura da minha vida, eu sinceramente não sei como cheguei até aqui. “Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra” – Guimarães Rosa. Eu nunca tive esse “poder de ir até o rabo da palavra”; eu fui indo, indo, indo, e aqui estou. Nasci, passei pela infância, escapei dos perigos da juventude, já deixei o auge do vigor para trás, e vou vivendo. Mas não sei como cheguei até aqui. Tenho consciência de que não sei o porquê da minha profissão, da maioria das coisas que fiz, e do estado em que me encontro. Não sei, mas com humildade sincera atribuo tudo a Deus. Também acho que viver é muito perigoso. E, honestamente, não sei se aprendi a viver.

No entanto, já vivi o suficiente para saber que a vida é uma sequência de altos e baixos, e não há garantia para o futuro, mesmo o imediato. E esse “vai e vem” dura a vida toda. Há períodos de tranquilidade, mas há períodos de tormentas. Normal. Gosto de pensar naquela ilustração de que “sem vento” o “barco à vela não progride”. Logo, tudo é proveitoso, e os momentos difíceis são muito importantes para nós todos. O ser humano só “sacode a poeira” se for provocado a tanto. O “marasmo” da vida sem dificuldades nos torna desleixados e acomodados. “Água parada se torna estagnada, apodrece”. Porém, como o “sertão se alteia e abaixa”, os nossos caminhos estão cheios de obstáculos e de desafios. Alegrias, tristezas, e o cotidiano. Não há tempo, portanto, para o “ócio” na existência. E o verso nos ensina que o homem propõe o seu caminho, e, por isso, sofre as consequências (boas ou más) de suas escolhas (boas ou más).  

Se o homem faz as suas escolhas e propõe o seu caminho, como poderia o Senhor lhe dirigir os passos? Creio que não exista contradição nisso: de um lado, o homem propõe o seu caminho, faz as suas escolhas; de outro, Deus Pai intervém, e nos ajuda. Este é um texto reflexivo, e não há raciocínio fechado aqui, especialmente porque o livre arbítrio, em tese, ficaria prejudicado com a interferência do Senhor. Qual seria, pois, o “percentual de interferência” de Deus nessa coisa toda? Mezzo a mezzo? Desigual? É o mesmo para todos? Simplesmente não sei responder, mas eu gosto de pensar que o Senhor dirige os meus passos, e não fico nem um pouco chateado de ter de abrir mão de meu livre arbítrio por conta disso, sendo o caso. Eu reputo a Ele o fato de eu estar aqui hoje, vivo e escrevendo, em plena “travessia”. Agradeço a Ele full time por isso, de verdade: louvo ao Senhor o tempo todo, na mesma toada da minha respiração.

De todo modo, eu não sei explicar o milagre do verso. “Milagre” (creio eu), porque a vida é uma mistura de nossas próprias escolhas e vontade, com o Senhor dirigindo os nossos passos. Talvez, uma coisa diminua a outra, mas prefiro crer que há coexistência pacífica entre as duas situações. Só não sei dizer as medidas disso. Posso dizer, entretanto, que há um caminho e há um Deus do Céu maravilhoso e bendito. Assim, em dado momento da minha vida, eu escolhi servir ao Senhor, por Jesus, e, então, passei a ter conhecimento Dele e de Seu Reino. Depois que adquiri algum entendimento a respeito Dele, pois, tive a sensação de que Ele interferia na minha vida mesmo antes de eu vir a conhecê-Lo, de poder ser chamado de “crente em Jesus”. Ou simplesmente de cristão. Bem, eu me sinto afortunado por ter tido contato com o Senhor, por Jesus, e nada na minha vida, nem minha própria vida, é melhor do que isso. E há, ainda, o “acesso” à Palavra de Deus, que é algo impagável. De resto, eu acho que faço as minhas escolhas, sim, faço, mas caminho nesse caminho com o Senhor, que é o que mais importa. A “travessia é perigosa, mas é a vida”, e o Senhor está comigo. Prefiro deixar o “saber definido” nas benditas mãos de Deus. Não necessito ter o “poder de ir até o rabo da palavra”, e nem quero. Quero o Senhor dirigindo os meus passos. Vivo Nele, e por Ele, em Jesus.

© Amor-Perfeito

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