Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

1 Crônicas 29: 9.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“O povo se alegrou com as ofertas voluntárias que seus chefes fizeram, pois de coração íntegro deram eles ao Senhor. Também o rei Davi se alegrou com grande júbilo” – 1 Cr. 29: 9.

As ofertas em questão eram dadas para a construção do Templo de Deus em Jerusalém, cuja obra ficaria sob o encargo de Salomão, filho de Davi, que seria o próximo rei de Israel. Esse é o contexto. Aqui chama a atenção, no entanto, o estado de espírito das pessoas envolvidas no episódio, isto é, tanto a voluntariedade como o coração íntegro. E a questão que surge para a nossa reflexão nem é dar a Deus, ou em nome do Senhor, dinheiro ou alguma outra coisa a alguém ou a uma instituição qualquer. Pelo menos, não se trata só disso. Parece que a parte mais interessante desse tema se perfaz em como, de que forma, nós nos relacionamos com Deus e com as situações de vida envolvendo o Senhor. Se há, de fato, integridade em nossos corações, ou não. O que seria seguir, pois, uma religião? Será somente esperar favores sobrenaturais, observar algumas regras e se colocar em determinada situação de sujeição? Só isso? Ou há mais que isso?

A religião é um aspecto forte e patente da vida do ser humano, desde sempre. As mais variadas crenças já foram objeto de culto em todo o passado do homem, e muitas continuam sendo hoje em dia, mundo afora. Mesmo os agnósticos e os ateus creem na religião da própria ausência de religião, se é que isso é possível de se dizer. E os que acreditam em alguma coisa estão ligados entre si por práticas, dogmas e liturgias inerentes às suas respectivas crenças. A maioria delas talvez seja um “toma lá da cá”, no sentido de se fazer alguma coisa para receber algo em troca (barganha). Contudo, se pensarmos hipoteticamente em dez religiões distintas, seremos obrigados a imaginar que existem dez religiões diferentes, ou seremos forçados a admitir que dessas dez religiões, nove são ilusórias e apenas uma corresponde à realidade. Apenas uma é verdadeira. Assim, nove seriam invenções humanas e apenas uma seria realmente Divina. Eu, particularmente, penso que a realidade é uma só, só pode ser uma, e nada mais. A complexidade humana pode até fazer uma leitura diversa dessa realidade, mas esta deve ser obrigatoriamente una e estanque.

Dentro da premissa de uma só realidade, portanto, eu creio em Deus Pai, por Jesus. E faço isso voluntariamente, com fé, amparado pela Bíblia Sagrada, que testifica a respeito do Senhor. Essa conduta minha nada tem a ver com doutrinas de igrejas, e suas práticas e liturgias. Não. É uma condição intrínseca, só minha. No meu coração eu desenvolvo uma relação de intimidade com Deus, e a cultivo com amor. Entretanto, se minha relação com Deus é na base do “toma lá da cá”, então eu tenho uma relação com a igreja e com os líderes dessa igreja, do tipo “cliente/consumidor e fornecedor”, mas não tenho um relacionamento com Deus. O relacionamento de qualquer pessoa com Deus não admite nenhum intermediário que não seja o Senhor Jesus (e o Espírito Santo), e se desenvolve no coração. E o Senhor sabe quando a pessoa tem um coração íntegro, que é a premissa para o ser humano pela ótica Dele. Sem o coração íntegro (e sem voluntariedade), não há como se achegar a Deus. Sem integridade de coração o que se vive não passa de uma utopia, coisa esvaziada em si mesma, mais parecida com “autoajuda” e inserção (pertencimento) garantidas por um clube, associação ou fraternidade, que tem suas próprias tradições e práticas, além de algo em comum. Nesses casos não há diferença alguma entre participar de uma torcida de futebol ou de uma agremiação qualquer, senão que os “aderentes” destas últimas são filosoficamente mais sinceros e retos do que aqueles que estão nessas igrejas. São duras essas palavras (eu sei), mas, com o perdão de quem possivelmente possa se ofender, são verdadeiras.

Como dito acima, pois, o homem tem a tendência de “departamentalizar” a sua vida, e um desses “departamentos” seria a religião. A pessoa teria com a religião, assim, um vínculo de continente (pessoa) e conteúdo (religião). Contudo, a vida cristã não pode ser vivida dessa forma. Todos os “departamentos” do ser humano (família, estudos, trabalho, finanças, cuidados pessoais, esportes etc.) devem estar abarcados pelo vínculo com Deus, sendo este o Continente (religião) e todo o resto um conjunto que forma o conteúdo, incluindo nós mesmos. Não está de todo errado considerar o nosso vínculo com o Senhor, por Jesus, como sendo religião. O que ocorre é que a palavra “religião” (do latim ‘religare’) está bastante desgastada e banalizada em seu significado primário, nesse sentido. De outra sorte, não nos é possível “desligar” a Deus nos nossos outros convívios, fora do ambiente religioso. É o Senhor que envolve todas as coisas, e ainda põe o Espírito Santo em nossos corações. Como deixar de tê-Lo em nós, ou só quando O queremos? Não dá, por óbvio. Por conta disso que havemos de ter, cada um, um relacionamento de intimidade com o Senhor, por Jesus, marcado pela voluntariedade, sinceridade e pela honestidade. Essa é a forma correta de se relacionar com Deus, cuja suma é ter para com Ele um coração íntegro e reto. O mesmo estado de espírito do rei, do povo e dos chefes, no verso acima transcrito. Que nós possamos adequar as nossas vidas à verdadeira realidade do Reino de Deus, e que a alegria do Senhor seja sempre a nossa força, e fonte primeira de júbilo e de paz, o nosso sustento, até que Ele venha. Amém.

© Amor-Perfeito

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