Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Gálatas 1: 23.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Somente tinham ouvido dizer: Aquele que antes nos perseguia, agora anuncia a fé que outrora procurava destruir” – Gl. 1: 23.

O Fariseu Saulo de Tarso, ferrenho perseguidor e algoz de cristãos, se torna o Apóstolo Paulo (ao se encontrar com Jesus, nos arredores de Damasco), perseguido, irmão de irmãos e servo de Cristo. Antes violentamente contrário à Igreja de Jesus e ao próprio Rabi, tornou-se Pregador do Evangelho do Senhor, certamente um dos mais importantes, até ser recolhido por Deus. Uma guinada de vida espetacular, marcante e, não fosse a enorme repercussão e as inúmeras testemunhas, possivelmente inacreditável. Saulo, Fariseu, era “inflado” de si, inteligente e culto, além de muito zeloso em relação à Lei, de acordo com os costumes e tradições de sua seita. Vinha de boa família, rica e conhecida por todos, especialmente em Tarso, cidade na região histórica então conhecida por Cilícia (hoje, Turquia). Seu nome, segundo pude constatar em pesquisas, é a versão grega relacionada à palavra Saul, esta no hebraico, e quer dizer: “o implorado”, ou “aquele que foi conseguido, insistentemente, por meio de orações”. Saulo devia ser (e se sentir, com orgulho, soberba e vaidade) alguém que se julgava superior e valoroso, uma pessoa diferenciada e com prestígio, simplesmente por ser quem era.

Isso até que no caminho de Damasco, viu “um resplendor de luz do céu”, caiu por terra e ouviu as famosas palavras do Mestre:Saulo, Saulo, por que me persegues?Atos 9: 4, in fine. O “grande” Saulo, pois, tão cheio de si, literalmente “caiu de quatro”, confuso, e ficou cego (provisoriamente). E o resto dessa história, como todos nós bem sabemos, preenche boa parte da Bíblia Sagrada, graças a Deus. O relato dramático do encontro de Saulo com Jesus está em Atos 9: 1 a 22. Até aqui Saulo era uma pessoa, e depois se tornou outra, totalmente diferente. Mas continuou sendo chamado de Saulo. Somente mais tarde aparece, em Atos 13: 9, a primeira menção Bíblica de Saulo como Paulo. E daí para frente passa a ser conhecido por Paulo, o Apóstolo dos Gentios. O curioso é que Paulo tornou-se “grandenão quando era Saulo, mas justa e exatamente quando passou a ser chamado de Paulo. E o nome Paulo significa “pequeno” (ou “baixo”). É possível supor, portanto, que o termo Paulo era um apelido do qual ele não gostava, especialmente porque era uma referência à sua baixa estatura. Talvez fosse utilizado como Bullying, quem sabe.

Mas acabou sendo o nome adotado por ele e por todos, nas inúmeras referências a ele nas Escrituras, e ele parece não ter se incomodado (mais) com isso. É correto dizer que ele se arrependeu das maldades praticadas de quando era Saulo, e tenha preferido mesmo ser reconhecido como “pequeno” diante de Deus e dos homens, isto é, de passar a ser chamado simplesmente de Paulo. Saulo, pessoa orgulhosa e presunçosa, foi “quebrado” e “esvaziado”, e “sobrou” Paulo, ou “pequeno” (Filipenses 3: 1 a 11). E Paulo, o “pequeno”, tornou-se um “grande” homem de Deus. É uma história linda, maravilhosa, e que muito nos ensina. Estamos acostumados a “ver” e entender Paulo como um grande homem de Deus, sem maiores questionamentos. Alguém com uma fé inabalável, com acurada presença de espírito, verdadeira fortaleza, em todos os aspectos. Porém, Saulo, que pensava ser grande, só se tornou “grande” depois de passar a ser considerado “pequeno”, ou Paulo. Nas palavras de João Batista, para todo e qualquer cristão/cristã: É necessário que ele (Jesus) cresça e que eu diminuaJoão 3: 30.

Podemos traçar um lindo paralelo com essa história. Antes de nos entregarmos a Jesus éramos como “Saulos”, ignorantes de Deus e prepotentes, porque resolvíamos tudo sozinhos, e o nosso pensamento, cultura e modo de vida, misturados com as nossas características pessoais, eram e formavam a nossa “razão”, ou consciência. Na medida em que permitimos que Jesus cresça em nós e nas nossas vidas (e nós “diminuímos”), algo sobrenatural acontece: nós nos tornamos “grandes pequenos homens” e “grandes pequenas mulheres”, aos olhos de Deus Pai. Nossa obrigação maior na vida é fazer com que Jesus cresça em nós e diante dos homens. Ser cristão/cristã, muitas vezes, tem conotação negativa para alguns que não conhecem o Mestre. E essas pessoas que a Bíblia chama de “ímpias”, geralmente se desagradam com o “crente chato” ou com a “crente chata”, ambos “fanáticos” e “alienados”. O crente em Jesus, para o Mundo, é alguém maçante, inconveniente, e até medíocre. Consideram-no um “ser inferior”, “adicto religioso”, doente e louco. Porém, os que estão em Cristo Jesus sabem o quanto essa visão está fora da realidade, e como a realidade mundana está equivocada. Os “Paulos” são, assim, os “pós-Saulos”, isto é, aqueles que reconheceram, racional e sensatamente, a própria pequenez, bem como a pequeneza da vida; encontraram a humildade de ser, fizeram as pazes com os Céus, e declaram a quem quiser ouvir, de forma explícita, seus respectivos estados de dependência (total) de Deus. Muitos são perseguidos, por vezes, é verdade; mas Jesus afirmou que quem Nele crê é bem-aventurado (Mateus 5: 10 a 12). Assim: “Saulo”, “grande”, cai; “Paulo”, “pequeno”, sobe. Invariavelmente.

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