Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Provérbios 16: 31.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Coroa de honra são as cãs; são obtidas por uma vida justa” – Pv. 16: 31.

Ahhh, como eu acho lindo esse verso… “Cãs”, para quem não sabe, significam: “cabelos brancos”. A transcrição acima, no entanto, que extraí da versão da Bíblia usualmente utilizada por mim para ler e escrever, não é (em minha opinião) a melhor opção dentre as várias versões. Isso porque falta uma palavra, que considero como “palavra-chave” para completar o raciocínio: “Coroa de honra são as cãs, quando são obtidas por uma vida justa”. Os cabelos brancos são, pois, “coroa de honra” para as pessoas que viveram de forma justa e se encontram no ocaso de suas vidas. É um elogio carinhoso de Deus Pai aos Seus filhos e filhas, todos imperfeitos, claro, mas que buscaram os acertos em detrimento dos erros, a correção, com humildade, bondade, fraternidade e amor. Os maus, de outra banda, também envelhecem, e neles aparecem também os cabelos brancos. Porém, estes (as cãs) somente serão considerados “coroa de honra” diante de uma vida justa. Para ímpio e o injusto é tão somente velhice, decadência, tempo se esgotando.

Vida justa não é o mesmo que vida perfeita. Tampouco significa que a pessoa tenha se conduzido sempre da melhor maneira possível. Devemos de contínuo nos lembrar, e jamais esquecer (“perder de vista”), que o Senhor não vê aparência, mas olha o coração (Deus não vê “cara”, mas coração). As intenções no coração dos homens são objeto de julgamento pelo Pai, muito menos do que os atos o são. Fazer a coisa certa pelo motivo errado é pecado, não é certo. Quem assim age, no máximo, se autojustifica. Ganha “pontos” com os homens, mas não engana a Deus. Não é possível enganar a Deus, aliás. Assim, das duas uma: ou nós agimos com 100% de honestidade para com Deus, e O agradamos, ou tentaremos realizar o impossível, e os enganados seremos nós mesmos, invariavelmente. O ser humano, diante do Criador, está sempre “nu”, sua “nudez” (em todos os aspectos) é a regra, e não há exceções nesta matéria. Logo, a “transparência” é a melhor conduta a ser adotada, até porque não há outra possível.

Importa dizer, portanto, que aquilo que alguém sente (pensa) em seu coração (estado de espírito) é o que mais vale para o Senhor. No coração temos o “nascedouro, útero” dos nossos atos materiais, e no mundo exterior, faceamos toda sorte de consequências (boas e más) quando os concretizamos. Nem mesmo uma “folha de parreira” cobre “as vergonhas” do coração (para Deus). Talvez o coração seja o núcleo dos nossos sentimentos, e o único “lugar, local, espaço” onde nós somos o que somos, e somos nós mesmos, sem afetações, dissimulações e/ou máscaras. Sob a perspectiva de uma pessoa, num universo de pessoas, apenas ela se conhece mais a fundo, e Deus a conhece por inteiro. Lembro-me de um professor meu que dizia: “em pensamento todos nós somos homicidas”. Ele, que foi seminarista, certamente quis nos dizer e ensinar que na essência a maldade nos domina, se a deixarmos livre e sem supervisão constante. E quanto ao pensamento, nos dizeres de Dallas Willard, seria a forma de expressão humana (ainda que privada) considerada como a mais livre, “solta” e ilimitada. Assim, pensamento e coração meio que se fundem na análise da constituição de qualquer ser humano. Pode ser que “o coração sinta” e “o pensamento expresse”, mas ambos “caminham” juntos, e são interdependentes. Depois vem o corpo, e simplesmente obedece, executa, materializa a vontade.

O Direito Penal, pelo “iter criminis” (caminho do crime), exemplifica bem isso. Em síntese, esse caminho é dividido em quatro fases distintas: a “cogitatio” (cogitação – pensamento), os atos preparatórios, a execução e a consumação. A “cogitatio” é impunível, e as condutas envolvendo as outras três fases são, conforme a lei, punidas e consideradas como infrações penais (fase 1: alguns casos, fase 2: tentativa, alguns casos e fase 3: crime consumado, todos os casos). Logo, o pensamento só é reprovável diante do Direito Canônico (perante Deus), e não é punível pela justiça dos homens. Entretanto, voltando ao verso, o importante para nós é lutarmos a vida inteira (o “bom combate”, citado por Paulo) em perseguição ao que é íntegro, honesto, ético e correto. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé2 Timóteo 4: 7. Se assim for, as cãs representarão uma vida justa, e serão “coroa de honra”. Devemos todos, portanto, almejar e buscar tudo o que é bom, justo e agradável, segundo o discernimento de Deus Pai. Desse modo, o “elogio” do verso será válido e eficaz, e dirigido a cada um de nós. Confesso eu que já tenho algumas cãs, e espero, em Jesus, que elas já sejam dignas de alguma honra, aos olhos do Senhor…

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