Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Provérbios 10: 15.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“A fazenda do rico é a sua cidade fortificada, mas a pobreza é a ruína dos pobres” – Pv. 10: 15.

Eu sempre que lia esse verso ficava com uma “interrogação” no pensamento e uma indignação em relação ao dito de que a pobreza é a ruína dos pobres. “Ruína” é uma palavra forte, e numa primeira impressão, o verso dá a entender que ser pobre é algo negativo e tem conotação depreciativa. Na forma “nua e crua” da comparação feita, o rico recebe toda atenção e o pobre é flagrantemente desmerecido e desprezado. E assim é, de fato, pelo sistema mundano no qual estamos todos nós inseridos. Contudo, se a ironia pudesse ser “lida” (é mais um recurso da fala, pela entonação da voz, expressão facial e pelos gestos), acho que a veríamos nessa frase de Salomão, que, na verdade, parece mesmo ter sido irônico ao proferi-la. É realidade que o rico se sente seguro por detrás de sua riqueza. Mas o “se sentir seguro” pela riqueza que se tem não é nada mais do que uma sensação falsa e utópica. Pura ilusão: Os bens do rico são a sua cidade fortificada, e como uma muralha em sua imaginaçãoProvérbios 18: 11

Ora, quem ainda não ouviu a frase “caixão não tem gaveta”, que tanto nos ensina sobre a fragilidade humana e a ganância (excessivo amor ao dinheiro, ao luxo e aos bens materiais, somados ao egoísmo e à avareza)? Assim, qual é a diferença entre o rico e o pobre? A diferença apontada pelo verso é a riqueza e a falta desta, claro. Mas será que é isso mesmo, algo tão óbvio, que o verso quer nos dizer ou ensinar? Não seria parte da Bíblia Sagrada se assim fosse. Quem conhece a música “O Poeta Está Vivo”, de autoria de Roberto Frejat (Barão vermelho – em homenagem a Cazuza), já ouviu o trecho que diz assim: “todo mundo é parecido, quando sente dor, mas nu e só ao meio dia, quando está pronto pro amor…”. Essa música (confesso) me encanta, e toda vez que a escuto o Espírito Santo que está em mim “Se move”. E bem poderia ser que o “Poeta” em questão fosse Jesus Cristo, visto que a letra “se encaixa” perfeitamente, de forma poética, Nele.

Rico ou pobre, pobre ou rico, a dor é a mesma: todos são parecidos. E mais: em certo ponto da vida, sós e na solidão, é que nos encontramos com Jesus. Nas palavras do Mestre: Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só. Mas se morrer, produz muito frutoJoão 12: 24. Por isso, somente quem está “nu e só ao ‘meio dia’, quando está pronto pro amor…”, apenas aquele que se arrepende e que assume a sua fragilidade perante a vida, consegue ter acesso a Deus Pai, por Jesus. Primeiro morre para si mesmo, depois nasce (ou renasce) em Cristo Jesus. Disto extraio a ironia do verso-título deste texto, porque na essência não há diferença entre as pessoas. Rico ou pobre, bom ou mau, “preto, branco ou cinza”, estamos todos nós no “mesmo barco”, e a única diferença que realmente faz diferença é o fato de estarmos ou não em Jesus. Para aqueles que desdenham desta singela informação, peço (ou, talvez, implore) que leiam a “Parábola do Trigo e do Joio” (palavras de Jesus, também), que está em Mateus 13: 24 a 30, e sua explicação um pouco mais adiante, em Mateus 13: 36 a 43. E oro para que o temor de Deus os invada nesse momento.

Provérbios 10: 15 não é um motivo ou incitação para desordens, rebeldias ou qualquer outro tipo de comoção social. Tampouco é um chamado ao Socialismo, ao Comunismo, à Anarquia, e nem é uma crítica ou um louvor ao Capitalismo. Nada disso. Não se fala aqui de sistemas de governo nem de política, mas da natureza humana e da integral dependência dos homens em relação a um Deus que escolheu ser escolhido. Se o Senhor não for escolhido pessoal e voluntariamente por alguém, Ele respeitará essa pessoa e a deixará seguir o seu caminho. Portanto, a interpretação rasa e literal do verso-título não parece ser a mais correta (apesar da obviedade e possibilidade), especialmente se imaginarmos que o estado de espírito de Salomão era a ironia, e não a exatidão de significado das palavras empregadas. Assim, a ruína do pobre (e em certo sentido, todos nós somos pobres…) não é a falta de riqueza, mas a ausência de Deus em sua vida. Logo, há ricos que, apesar da riqueza que possuem, vivem na mais nefasta ruína. Pobre não é aquele que não tem dinheiro, senão aquele que não tem a Deus em si mesmo. A ruína, nesse passo, é do pobre e do rico, sem nenhuma diferença.

© Amor-Perfeito

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