Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Filipenses 1: 8.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Deus me é testemunha das saudades que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus” – Fp. 1: 8.

Assim que li esse verso me recordei de diversas pessoas que andavam comigo, e já não andam mais. Algumas situações, nesse sentido, ocorreram por conta de mudanças naturais, alguém que foi embora do país, ou trocou de cidade, ou morreu, ou casou (vida de casado…), enfim, alguma coisa aconteceu para que os nossos caminhos fossem separados. Mas há outros casos, bem mais tristes (lamentáveis), de pessoas que se recusaram a se manter no caminho comigo por questões religiosas, por tradições ou porque simplesmente terminou o interesse (não existe outro modo de colocar isso, vil interesse), e “me viraram as costas”. Um dia eu prestava para essas pessoas, no seguinte fui sumariamente descartado: não servia mais. No geral, fui julgado e condenado por elas, e sem ser ouvido a respeito de minhas razões e necessidades.

Para certos grupos de pessoas, o fato só de se pensar diferente já é motivo para marginalizar e expulsar, “excomungar” (como se tivessem esse poder…). Rubem Alves, sempre coerente e exato, atento às vicissitudes do gênio humano, expôs a coisa do seguinte modo: “cada olho vê certo no mundo a que pertence”. Logo, se tais pessoas pertencem ao mundo da hipocrisia e do desamor, é isso e não outra coisa que receberemos delas, isto é, hipocrisia e desamor. E seremos “vistos” segundo esses critérios. Ora, nenhuma pessoa é igual à outra (isso é óbvio), a Bíblia Sagrada nos ensina sobre a diversidade da igreja, e Jesus veio como homem com o propósito de, justamente, atrair para Si todas as gentes. Assim, dois dos maiores pecados do cristão são, pois, a ausência de unanimidade em Jesus e a falta de respeito pela individualidade de cada um (e, por isso, reflexamente, deixam de confiar em Deus…).

Eu não posso ser condenado pelo simples fato de pensar diferente (certo?). Na crônica de Rubem Alves (intitulada “Os dois olhos”), da qual foi extraída a frase acima, o sagaz escritor discorria sobre a terrível perda de capacidade de alguns de “ver as coisas com poesia nos olhos”. Assim, os que só têm olhos para a literalidade e para a frieza da letra da Lei, e veem o Senhor como um tirano inescrupuloso, que só pensa em vingança e retribuição de pecados, bem, esses certamente sequer sabem o que é a “terna misericórdia” de Cristo Jesus. Tampouco sabem que Deus é Pai, e se dizem saber, falam “da boca pra fora”, sem crer, de fato. O “espírito farisaico” incutido no âmago de alguns (muitos) engessa-lhes o entendimento em relação ao amor de Deus e à liberdade de se estar em Jesus. Essas pessoas, ainda que aparentem ser piedosas, são duras e inflexíveis, além de “excelentes” julgadoras. São “puritanas”, “beatas de plantão”, sendo que boa definição desse nefasto estado de espírito vem de H. L. Mencken, que diz: “Puritanismo: o perturbador temor de que alguém, em algum lugar, possa estar feliz”. Ora, Deus é o Juiz, e só Ele.

Bem, como Paulo disse na Carta aos Filipenses, de acordo com o verso acima transcrito, eu também sinto saudades de várias pessoas que cruzaram o meu caminho, algumas da derradeira “categoria” acima mencionada. Neste último caso, não sinto saudades da convivência segundo o que elas se revelaram ser, mas, sim, do que eu imaginava que elas fossem e de como foram quando havia ainda algum contato saudável. Sempre convivi com essas pessoas de forma genuína e sincera, “de peito aberto”, como se diz. Nunca fui dissimulado ou falso. Jamais busquei meu próprio e único interesse. Em todo tempo fui transparente. A amizade e a fraternidade, de minha parte, eram autênticas. Cortar laços não é fácil, dói, dor de alma. Mas certas pessoas precisam se autojustificar (Jesus não lhes basta…), e necessitam “se fazer melhores” em cima dos outros, a fim de se sentirem bem internamente. São infelizes, insatisfeitas, inseguras, “prisioneiras de si mesmas”. Conviver, pois, com gente assim, nada nos acrescenta, senão infortúnios e desgastes; melhor mesmo que se vão (como queiram), e consigo “levem as pulgas”… Que a misericórdia de Deus as alcance (Oxalá!). De minha parte, eu prefiro a saudade, fico com a saudade, sadia. Peço desculpas pelo desabafo, e pelo fato de que este texto se tenha convertido, inadvertidamente, em testemunho de sentimentos meus. Espero, no entanto, de coração, que sirva para alguém, na “terna misericórdia” de Cristo Jesus.

© Amor-Perfeito

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