Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Salmo 4: 4.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Irai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração na vossa cama, e calai-vos. (Selá)” – Sl. 4: 4.

Começando pelo fim do verso, confesso que o termo “Selá” sempre me chamou a atenção e aguçou a minha curiosidade. E para clareá-lo um pouco vou reproduzir aqui trechos adaptados de outro texto que escrevi, mais antigo, que tratou em parte deste mesmo tema. No Livro dos Salmos é comum encontrarmos entre os versos a palavra “Selá” (aparece 71 vezes). Apesar de seu significado ser incerto, podemos dizer que o Salmista a utilizava em sentido de “pausa”. Seria, pois, a cessação abrupta e solene dos sons e vozes, a fim de causar “meditação” (se levarmos em conta que os Salmos eram cantados). Assim, “Selá” indicava um sinal no desenrolar do cântico, uma pausa proposital, um momento em que a musicalidade dos instrumentos e das vozes dava lugar a um silêncio, na busca de levar os ouvintes à “contemplação”. Segundos “mágicos” de introspecção. Para um “mergulho” dentro de si mesmo, instante de enlevo, com fundamento na mensagem cantada e lançada no íntimo de cada um de nós.

No outro texto, pegando emprestada uma ideia alheia, chamei isso de “silêncio eloquente”, uma quietude propositadamente forçada. Isso geralmente nos faz sentir uma sensação estranha, um misto de bem-estar, mistério e fascínio, algo difícil de descrever, de traduzir em palavras. Sons e palavras envolventes, abruptamente cortadas. No vazio que se segue, quase sempre no meio da música, segundos se abrem no tempo em que ficamos “nus” e desprevenidos diante do Criador. E na mesma rapidez em que cessa a música, o seu retorno nos tira daquele “estado de torpor”, causado pela premeditada manobra musical, na tentativa de nos enlevar. Porém, no fundo o que “Selá” quer nos dizer é que devemos refletir sempre, especialmente se o objeto em questão for a Palavra de Deus. E pelo exemplo dado (cama), nós precisamos nos recolher em nós mesmos e/ou em local quieto e reservado, para que a reflexão seja frutífera. Para “ruminarmos” as informações em paz. Para extrairmos delas o máximo de proveito. Trata-se de bom conselho.

No caso do verso, ira e pecado, melhor mesmo seria não se irar, mas se isso acontecer (e acontece), então que seja, pelo menos, sem pecado. Será possível? Para os Católicos a ira é um dos Sete Pecados Capitais (os outros são: gula, avareza, luxúria, inveja, preguiça e orgulho ou vaidade). Por esse prisma seria impossível irar-se sem pecar, porque, por definição, ira já seria pecado, e capital. No entanto, parece que a ira que se ajusta à Doutrina Católica – e a qualquer outra – é a ira crônica, desenfreada, não momentânea, doentia, patológica. Assim, a ira como “estado de espírito” seria/é pecado, não importando o sistema religioso cristão que a analise. Até porque a ira faz oposição ao amor, que é Mandamento Basilar e Fundamental de Deus, pela Bíblia Sagrada.

Quem vai nos ajudar a entender isso será o Profeta Malaquias, cujos escritos são os últimos registros do Velho Testamento. Malaquias, como tantos outros profetas, previu também a vinda do Messias, Jesus Cristo. Ele escreveu o seguinte, profetizando em Nome do Senhor: Mas para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação debaixo de suas asas. E saireis, e saltareis como bezerros libertos da estrebariaMalaquias 4: 2. Jesus foi chamado, pois, de “Sol da Justiça”, pela profecia de Malaquias. E bem mais tarde, o Apóstolo Paulo disse a seguinte frase: Irai-vos, e não pequeis: Não se ponha o sol sobre a vossa iraEfésios 4: 26. De novo “Sol”, de novo Jesus. Paulo nos ajuda, portanto, a desvendar esse “mistério” das Escrituras, e não é deixar de se estar irado ao anoitecer. Não. A questão aqui é não perder de vista o Senhor Jesus (o “Sol da Justiça”) e os ensinos do Mestre, por conta da ira. Se Jesus for ofuscado pela ira (ou o amor que devemos ao próximo), há pecado. Se a ira for razoável, comedida, limitada pela fé e pelo amor que a pessoa tem por Jesus (temor a Deus), então não há pecado. E recomenda-se “conversar” com Deus a respeito de quem ou daquilo que nos tenha causado ira, sem remoer ódios, raivas e rancores, tampouco buscar fazer justiça por conta própria. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o SenhorRomanos 12: 19. E corroborando: … a ira do homem não opera a justiça de DeusTiago 1: 20. É admissível o “irar-se”, pois, mas sem pecado. Com os nossos corações sempre fixados no “Sol da Justiça”, Jesus. Ora, afinal, não foi tão difícil fazer a distinção e compreender o verso, foi?

© Amor-Perfeito

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: