Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Provérbios 14: 13.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza” – Pv. 14: 13.

Alguém já disse que a vida não é fácil. E não é mesmo. Em larga escala as coisas são mais difíceis ainda. A Bíblia nos ensina que a vida é um “sopro” (Salmo 144: 4); e eu fico imaginando, às vezes, se assim não fosse, porque em longo prazo muitas coisas, que não se veem em uma vida inteira, acontecem. Então, sem essa limitação em torno de 100 anos, por aí (120 anos, pela Palavra de Deus – Gênesis 6: 3), experimentaríamos mais e mais sofrimentos. A mesma “mãe” Natureza, por exemplo, que nos fornece tudo o que temos e que nos mantém, também é (ao mesmo tempo) “hostil”, “indiferente” e “impiedosa”, em variadas ocasiões. E fato é que nós vivemos à mercê dessas forças indômitas, algumas catastróficas. Nossa vida “tranquila” e rotineira pode ser interrompida, a qualquer momento e sem aviso, por um meteoro, um terremoto, um furacão, uma erupção vulcânica, um colapso na economia ou no fornecimento de energia elétrica, uma guerra, uma fatalidade qualquer Etc.

De outra sorte, em certos lugares a pessoa sai de casa de manhã para trabalhar e não sabe se volta para dormir. Há escravidão pelo Mundo todo, em todo lugar (por vezes, países inteiros), e não do tipo “Senhor de Engenho”, mas escravidão social, intelectual, política e religiosa. Certas periferias e determinadas comunidades têm lei própria, pois o Estado não consegue sequer entrar nelas. Pessoas são mantidas reféns em seus próprios lares, por conta de governos inoperantes e incompetentes, se é que estão seguras neles, porque dependendo do caso, não estão. As injustiças, os desmandos e os descasos são muitos, e “doloridos”. Crises variadas comumente se instalam: de ética, de moral, de confiança, de fé. E mais recentemente, o Mundo se enche de gente, os recursos naturais começam a faltar, a violência se espraia, o terrorismo é a nova e odiosa prática a ser faceada (mais uma…), e sente-se a tensão dessas coisas todas “no ar”, quase “palpáveis”, a nos oprimir. Ora, “viver é muito perigoso”, já dizia Guimarães Rosa.

Na esfera da individualidade, ou de um coletivo diminuto, as coisas também não são muito alentadoras. Viver dá trabalho! Nas diversas áreas da vida de qualquer pessoa há muitos obstáculos e dificuldades. São muitas as “batalhas”. Dores e “surras”. Algumas perdas jamais são repostas ou esquecidas. Certas coisas e/ou pessoas são insubstituíveis, e a memória não basta para revivê-las. Pelo contrário, revive-se a dor do vazio por elas deixado. O tempo é cruel nesse sentido, porque não se vive a alegria de ontem no amanhã; o que ontem foi alegria, só o é no presente, pois que depois de vivida a alegria nos sobra só sua lembrança. Mas a tristeza nos alcança sempre no presente, e mesmo na qualidade de lembrança, nos machuca como tristeza que é: a mesma “sensação”. A tristeza é mais presente e patente do que a alegria, infelizmente.

Todos nós carregamos conosco algumas “cicatrizes” na alma. São exclusivamente nossas, e ninguém as remove de nós, e nos é impossível as partilharmos com profundidade. Na medida em que qualquer alegria anima as nossas vidas, temos de ter consciência de que a “sensação” dela advinda é efêmera. Já a tristeza “finca estacas”, “cria raízes”, e nos incomoda constantemente. O sofrimento é muito mais intenso do que a alegria. Se não estivermos tristes com algo que “nos pertença”, certamente nos será fácil encontrar alguém com problemas ou infortúnios à nossa volta. Somos todos “ilhas” rodeadas de “sofrimento”, e a nossa alegria é aquele “coco”, que cai esporadicamente da única “palmeira” à vista. Tudo bem, eu sei que o tom deste texto ficou bastante pessimista, mas a Palavra de Deus, pelo verso, não mente (e só a verdade me interessa!). Numa reflexão honesta, encontraremos realidade em tudo o que foi aqui dito e escrito. Nossa felicidade depende da assunção livre dessas ideias, associadas a uma vida (um relacionamento) com o Senhor. Deus Pai nos dá alento, mas Ele não tira de nós as tristezas da vida. Esse “fardo” é nosso, e o que Ele faz (com maestria) é nos ajudar a carregá-lo. Por isso, muito cuidado com os “iluminados” que prometem “mundos e fundos” dos púlpitos, porque a tristeza faz parte da vida, e dela é indissociável.

© Amor-Perfeito

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