Amor-Perfeito

"Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta" – Salmo 3: 5.

Marcos 14: 38.

* 1mVersículo 1aVerdade *

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” – Mc. 14: 38.

Nós não somos o corpo que nos abriga! Não sei explicar o que somos, mas com certeza não somos a “fraca carne” que nos reveste, ou guarda, ou que nos contêm. Talvez o que melhor nos defina como “ente” seja a alma (ou o espírito do verso), porém, quem a consegue explicar? É uma energia, uma força, um ser etéreo, o que é a alma? Não sei. Mas o ser vivente, com certeza, é a alma (ou espírito) movida pelo fôlego de vida provido por Deus, instalada (confinada) num corpo. Logo, o corpo é mero receptáculo da alma (ou do espírito). Veja-se o exemplo do encarcerado por algum crime, que está, em verdade, duplamente preso: em sua cela, que o limita em sua liberdade de ir e vir, e de fazer o que bem entender, e na “prisão” de seu corpo, da qual só “sai” morto.

A nossa relação com os nossos corpos são do tipo “conteúdo” e “continente”. Nós somos o “conteúdo”, que se serve do “continente” para existir neste Mundo. O “conteúdo” é imortal, enquanto que o “continente” tem prazo de validade, é mortal, além de muito frágil. Não é a toa que Jesus disse: “Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”Mateus 10: 28. O “continente” sem o “conteúdo” morre, perece e apodrece, cheira mal, até se desfazer por completo (e virar pó…). Não tem valor algum, nenhuma serventia, e é vazio em si mesmo.

Contudo o corpo tem sua força, começando pelo mais evidente: por intermédio dele manifestamos a nossa consciência, seja de que modo for. As nossas vontades imediatas são expressas por meio dele. Ele, o corpo, entretanto, nos faz reféns de suas necessidades, muitas das quais estão fora de nosso controle, e se não o sujeitarmos ao nosso comando, ele nos domina e acabamos fazendo tudo o que ele quiser que se faça. Todos os seus “luxos” e “confortos” (fissuras e compulsões, entre outras coisas), nós, subservientes, lhe damos. E mais: nós sentimos as suas dores, e padecemos com seus defeitos (doenças, deficiências, limitações etc.). 

Se não soubermos dessa verdade, isto é, que nós não somos os nossos corpos, nós nos tornamos um com ele, e aí a coisa toda desanda. E é justamente porque cometemos esse erro e nos confundimos com ele, que temos, a partir daí, a equivocada tendência de pensar que o que ele quer é a nossa vontade, e não a dele, quando, de fato, quem quer, na maioria das vezes, é ele, o nosso próprio corpo. Portanto, o maior inimigo que nós temos “nessa vida de meu Deus” é o mesmo que nos abriga e nos permite ser quem somos perante os outros: o nosso corpo (a carne). Ele nos dá abrigo, aparência, e até algum conforto, mas cobra seu preço, que não é barato. Há, por isso, uma luta ferrenha entre o bem e o mal, constante e intrínseca, em cada ser humano. Um conflito baseado na decadência do corpo pela ação do tempo, enquanto que a alma, por seu turno, “envelhece” e se enche de experiência e graça. Ao corpo não foi dada a dádiva da Eternidade, e ele sabe disso, e enlouquece, e surta, e endoida: quer viver, tem ânsia de vida, porém, o tempo lhe tira sem dó e sem volta cada segundo de existência.

Podemos traçar um pequeno paralelo com tudo isso, com o todo dito até aqui: imaginemos uma cara e rara garrafa de vinho. Ela só tem valor quando está com o vinho dentro de si, e lacrada. Depois de aberta, e consumido o vinho, a garrafa perde todo o seu valor; mas o precioso líquido, ainda que consumido, mesmo assim continua inestimável (ele sempre será valioso). A garrafa, de outra banda, até pode ser bela e ter um rótulo mais bonito ainda, mesmo assim, ela nada vale sem o vinho dentro de si. Nós todos somos como que preciosas garrafas de vinho perante o Senhor, sem preço e únicas, de modo que quando “o vinho for consumido”, ele não se perde, Deus o coloca em uma “garrafa incorruptível”, e o toma para Si. Que nós tenhamos consciência disso tudo, e mais: que os nossos corpos não abriguem apenas a nossa alma, mas também o Espírito Santo de Deus. Se tivermos a companhia do Espírito Santo, nossos corpos nos serão “menos nocivos” e “mais dóceis”. Teremos, afinal, “algum” controle sobre ele. As tentações da vida são muitas e variadas, sendo que grande parte delas vem das necessidades e apelos dos nossos corpos mortais, portanto, nos diz o Senhor, nesse passo: vigiem e orem, incessantemente. “O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Marcos 14: 38 – 2.ª Parte).

© Amor-Perfeito

2 Comentários

  1. Mirtes

    Gostaria de um esclarecimento o Pr na publicação acima coloca entre parente ( ou espirito ) quando se refere a alma, até onde eu havia entendido , habitamos em um corpo possuímos uma alma e somos seres espirituais ( hebreus 12 :4 nos fala que a palavra de DEUS é capaz de dividir alma e espirito, então são palavras distintas ou não ? Obrigada!!

    • Olá, Mirtes. Paz. Eu coloquei “espírito” entre parêntesis porque há divergência de entendimento sobre isso. Alguns acham que alma e espírito são uma coisa só, outros que alma seria a nossa consciência e espírito o “fôlego” de vida de Deus em nós. Prefiro que cada pessoa reflita sobre isso e tire suas próprias conclusões, em Jesus. De todo modo, não é um assunto simples e fácil. Só um esclarecimento: eu não sou Pastor, sou apenas um humilde Pregador. Deus te abençoe. Fica na paz do Senhor Jesus.

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